captação de recursos com empresas

Uma das etapas mais importantes na captação de recursos com uma empresa é a proposta que você vai encaminhar para ela.

E propostas de doação, acredite em mim, são especialmente complexas.

Ao contrário de outras propostas que a empresa recebe, a de doação não gerará retorno financeiro para ela.

Por isso, esta proposta tende a ir para trás na lista de prioridades, ser analisada sem o mesmo cuidado e, algumas vezes, por um profissional que não entende de impacto social positivo.

Por isso, é MUITO importante que você faça uma proposta equilibrada: clara, assertiva, simples, mas que contemple as necessidades da sua organização.

Para te ajudar neste passo, vou detalhar aqui alguns aspectos que uma proposta encaminhada para empresa DEVE ter.

planilha planejamento recursos

Antes de seguir: sobre que tipo de proposta estamos falando?

Esta etapa da captação de recursos, que chamo de “proposta”, é aquela que está entre o contato e/ou reunião e a doação.

Em outras palavras: a empresa demonstrou algum interesse inicial pela sua organização (ou pelo menos aceitou abrir conversa) e agora você precisa formalizar um pedido para ela.

Devido a este recorte, este texto não é focado na elaboração de propostas para editais – embora muitas dicas possam ser igualmente consideradas.

O texto também não é focado na elaboração de pedidos de recursos não financeiros – embora, novamente, a maioria das dicas também façam sentido nesse escopo.

A ideia aqui, reforçando o que falei acima, é que você consiga elaborar uma proposta de doação consistente para a empresa, que maximizem as chances de ser aceita.

Feitas as ressalvas, vamos lá!

Faça uma proposta tangível

As pessoas doam mais e com mais facilidade para objetivos tangíveis.

Diversos estudos mostram que “Doe para João” é mais efetivo do que “Doe para o país”, que por sua vez é mais efetivo que “Doe para a causa”.

Quanto mais tangível for o objetivo da doação, mas fácil é que a pessoa do lado de lá opte por aprová-la.

Por isso, tente atrelar o pedido a um resultado tangível. Se sua organização é de educação, por exemplo, você pode propor “Ajude na educação de dez jovens por um ano”.

Se for de saúde, onde os custos por beneficiário costumam ser maiores, pode pedir “Nos ajude a fazer uma cirurgia cardíaca”.

O importante é você correlacionar a doação com um resultado claro. Quanto mais fizer isso, maiores as chances de aprovação.

 Crie cotas

Pode parecer contraintuitivo, mas as pessoas preferem valores de doação predefinidos do que “Doe quanto puder”.

Por isso a enorme maioria das campanhas de financiamento coletivo pontual e recorrente tem cotas.

Como “quanto puder” é um conceito amplo e impreciso, na prática você dá um trabalho a mais ao doador: criar seus próprios critérios para chegar a um número razoável.

Este trabalho adicional pode ser a diferença entre a proposta ser aprovada ou não aprovada.

Além disso, estabelecendo cotas você consegue induzir a um valor de doação que faça sentido para a organização

Assim, crie valores sugeridos para facilitar a tomada de decisão do potencial doador. Quatro faixas de doação, por exemplo, podem ser um excelente guia.

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Defina contrapartidas

Já ouvi muita gente – muita mesmo – dizer que empresas só doam porque querem algo em troca.

Esta é uma verdade relativa.

Empresas são compostas de pessoas, que tem perfis, sonhos, intenções e iniciativas muito diferentes – como eu e você.

Há casos de empresas que doam porque querem um mundo melhor. Há casos de empresas que doam porque querem divulgação. Há casos de empresa que doam porque o dono quer doar e prefere fazê-lo na pessoa jurídica.

Considerando esta variedade de intenções, defina contrapartidas para o apoio de uma determinada empresa, mas contrapartidas que façam sentido para ela.

Se a empresa tem interesse em fortalecer a cultura interna, por exemplo, dê como contrapartida um ciclo de palestras.

Se a empresa quer divulgação, ofereça possibilidade de divulgar a parceria na mídia e nas redes sociais.

O importante é que, no momento do envio da proposta, as contrapartidas já estejam definidas e, principalmente, que façam sentido para ela.

Reserve uma parte da doação para custos relacionados

Quando você mandar a proposta, lembre-se que há outros custos que precisam ser considerados na elaboração da cota de doação.

Inclua na proposta um % de doação que ficará com a ONG para pagar custos operacionais do orçamento, como aluguel da sede, salários de diretores, contador e luz. O nome desta fatia é “Overhead”.

Além disso, dependendo do seu acordo, pode ser que uma parte do valor captado tenha que ser destinado ao captador de recursos como forma de bonificação.

Por fim, dependendo do seu estado, pode ser ainda que você precise pagar um imposto de até 8% sobre a doação.

O valor da cota de doação, assim, deve ser calculado considerando custo de projeto + overhead + bonificação do captador + imposto.

Espero que as dicas tenham te ajudado e que você possa elaborar grandes propostas de sucesso para muitas empresas 😉

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