Imagem azul com ESG inscrito e o significado de cada pilar

Você já reparou que os relatórios financeiros têm sempre o mesmo padrão? Isso faz muito sentido: considerando que eles servem para gerar transparência, quanto mais padronizados, mais simples buscar informações neles.

Esse processo de padronização vem acontecendo, agora, com os relatórios de sustentabilidade. Na verdade, não exatamente agora: começou lá na década de 90.

Quem lançou a pedra inicial neste movimento foi a Global Reporting Initiative (GRI), criando o padrão mais usado hoje em relatos de sustentabilidade. Mas, antes de falar do famoso relatório GRI, vamos falar da organização que deu origem a ele.

Ah… antes de seguir gosto sempre de lembrar que temos outros conteúdos específicos sobre o que é ESG, investimentos ESG, pilar ambiental, pilar social e pilar de governança.

Passo-a-passo para fazer um relatório de sustentabilidade

O que é a Global Reporting Initiative (GRI) e a sua importância

A Global Reporting Initiative (GRI) é uma organização internacional independente que ajuda empresas, governos e outras entidades a compreender e comunicar seus impactos em áreas como mudanças climáticas, direitos humanos, governança corporativa e corrupção. 

Fundada em 1997, a GRI tem a missão de tornar a prática de relatórios de sustentabilidade uma norma para todas as organizações, promovendo a transparência, a responsabilidade e o desenvolvimento sustentável.

Antes do padrão GRI, as empresas acabavam relatando seus dados de sustentabilidade de maneira dispersa e inconsistente, o que dificultava a comparação e a verificação das informações. O GRI trouxe padronização ao processo.

Atualmente, o padrão GRI é o mais usado mundialmente. Segundo relatório da KPMG de 2021, aproximadamente 80% das companhias reportam usando este padrão mundialmente.

O que é um relatório GRI

Um relatório GRI é um documento elaborado por uma organização seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Global Reporting Initiative. O relatório GRI fornece uma visão abrangente dos impactos econômicos, ambientais e sociais e tem como objetivo principal dar transparência às partes interessadas.

O modelo do GRI se organiza em cadernos – como se fossem em “pastas” de um computador. Módulos que vão se abrindo em sequência.

Sei que isso pode soar meio enigmático agora, mas mais para frente no texto você entenderá.

Um ponto importante a ser dito antes de nos aprofundarmos na estrutura é que você pode relatar usando o GRI “em conformidade” ou “em referência”.

Quando você apenas faz referência, seu relatório não é um GRI. Como o nome diz, ele apenas se refere ao GRI.

Por isso, se você deseja ter um relatório GRI, precisa relatar em conformidade.

Pessoas elaborando um relatório GRI

9 Requisitos para a opção “Em Conformidade”

Para que um relatório seja considerado “em conformidade” com as diretrizes do GRI, ou seja, um relatório GRI, ele deve atender a nove requisitos básicos. São eles:

1. Conteúdo Geral

O relatório GRI deve cobrir todos os temas materiais identificados pela organização. Isso significa que todos os assuntos que foram considerados relevantes e importantes durante a análise de materialidade devem ser incluídos no relatório GRI.

2. Qualidade da Informação

Os dados apresentados no relatório GRI devem ser precisos, completos, consistentes e comparáveis.

3. Engajamento das Partes Interessadas

A organização deve demonstrar como envolveu suas partes interessadas na identificação dos temas materiais. Isso inclui a descrição dos processos utilizados para envolver as partes interessadas, as principais preocupações levantadas e como essas preocupações foram abordadas no relatório GRI.

4. Materialidade

O relatório GRI deve incluir uma explicação clara sobre como a organização determinou os temas materiais. Isso inclui uma descrição do processo de análise de materialidade, os critérios utilizados para avaliar a relevância e o impacto dos temas, e uma lista dos temas materiais identificados.

5. Limite do Relatório

O relatório GRI deve especificar os limites de onde os dados foram coletados e quais operações estão incluídas.

6. Período de Relato

A organização deve definir e comunicar o período coberto pelo relatório GRI.

7. Relatórios Anteriores

O relatório deve incluir uma referência a relatórios anteriores e uma explicação de quaisquer mudanças significativas na abordagem ou nos dados.

8. G4 Content Index

O relatório GRI deve incluir um índice de conteúdo GRI G4, que permite aos leitores encontrar facilmente as informações. Ele costuma ficar no final do texto.

9. Assurance

Embora não seja obrigatório, é recomendado que o relatório GRI seja verificado por um auditor externo para garantir sua precisão e credibilidade.

Entendendo os cadernos GRI

Dito isso e antes de irmos para a prática, também é muito importante entender o que são os tais cadernos do GRI, sobre os quais falei acima.

Os cadernos GRI são conjuntos de diretrizes que detalham como uma organização pode reportar seu desempenho em áreas específicas. Esses cadernos são divididos em três categorias principais:

1. Normas Universais

As normas universais do GRI são aplicáveis a todas as organizações, independentemente do setor ou região. Correspondem aos cadernos 1, 2 e 3. 

Elas incluem os fundamentos da elaboração de relatórios de sustentabilidade, as divulgações gerais e a gestão dos temas materiais. 

As normas universais fornecem a base para a elaboração de relatórios, estabelecendo os princípios e requisitos que todas as organizações devem seguir.

Por isso, se for relatar e conformidade com o GRI, comece lendo bem estes 3 primeiros cadernos.

2. Normas setoriais

As normas setoriais, como o nome já diz, são cadernos específicos de setores da economia. Cada uma delas tem um número que, neste caso, é composto por dois algarismos.

Um ponto importante de salientar aqui é que nem todos os setores têm seu próprio caderno.

Um exemplo: Até a data em que escrevo este texto, “Petróleo e Gás” tinha seu próprio caderno setorial, o “11”, ao passo que “Bancos comerciais”, por exemplo, não tinha.

Na prática isso quer dizer que, se você vai relatar em conformidade com o GRI e seu setor não tem caderno setorial, você não precisa (nem tem como) usar um caderno setorial.

3. Normas temáticas

As normas temáticas orientam sobre a divulgação de temas. Cada um dos cadernos tem um número com três algarismos.

Você será obrigado/a a usar um destes cadernos caso queria relatar o tema dele. Alguns dos temas que têm seu caderno próprio são: Desempenho econômico (201), Combate à corrupção (205) e Energia (302).

Pessoas numa trilha em uma floresta

6 passos para usar GRI na prática

Agora que já passamos por todos estes conceitos, vamos para a prática: abaixo os 6 passos para usar o GRI.

1. Compreender as Diretrizes do GRI

O primeiro passo é compreender as diretrizes do GRI e como elas se aplicam à sua organização. Isso inclui a leitura e o entendimento dos documentos de orientação fornecidos pelo GRI, como os cadernos de normas e os guias de implementação. 

Se você não tem uma equipe com conhecimento técnico para tocar a elaboração do relatório GRI, não tem problema! Contrate um/uma profissional para liderar esta iniciativa!

2. Identificação dos Temas Materiais

Os temas materiais são os assuntos que são mais relevantes para a organização e suas partes interessadas. Identificar esses temas é um passo crucial no processo de elaboração do relatório GRI. 

Se o seu setor tem um caderno setorial, use ele como guia. Senão, conduza uma materialidade padrão, entrevistando stakeholders de forma sistemática.

Também aqui sugiro que você conte com ajuda profissional!

3. Coleta de Dados

Uma vez que os temas materiais foram identificados, a próxima etapa é coletar os dados necessários para relatar sobre esses temas

É importante garantir que os dados sejam precisos, completos, consistentes e comparáveis, conforme exigido pelas diretrizes do GRI.

4. Preparação do Relatório GRI

Com os dados coletados, a organização deve preparar o relatório seguindo a estrutura e os requisitos estabelecidos pelo GRI

A clareza e a transparência são fundamentais nesta etapa, garantindo que o relatório GRI seja facilmente compreendido pelas partes interessadas.

5. Revisão e Aprovação

Antes da publicação, o relatório deve ser revisado e aprovado pela alta liderança. Isso garante que toda empresa esteja na mesma página – uma vez que depois de publicado não há mais o que fazer! 

Algumas organizações também optam por realizar uma verificação externa, a partir da qual um auditor independente revisa o relatório para garantir sua conformidade com as diretrizes do GRI e a precisão das informações.

6. Publicação e Divulgação

A etapa final é a publicação e divulgação do relatório. Isso pode ser feito em diferentes formatos, como documentos impressos, páginas web dedicadas ou através de plataformas de relatórios online.

2 Exemplos de empresas que fazem Relatório GRI

São exemplos de empresas que divulgam relatórios no modelo GRI:

1. Natura

A empresa de cosméticos brasileira Natura é um exemplo de excelência em relatórios GRI. A Natura destaca-se por seu compromisso com a sustentabilidade e a transparência, detalhando seus impactos ambientais e sociais em seus relatórios anuais. 

Seus relatórios GRI fornecem uma visão abrangente de suas iniciativas de sustentabilidade, incluindo metas de redução de emissões de carbono, gestão responsável de recursos hídricos, práticas de comércio justo e programas de desenvolvimento comunitário. 

2. Itaú Unibanco

O banco Itaú Unibanco também é conhecido por seus relatórios de sustentabilidade GRI, nos quais reporta suas iniciativas em responsabilidade social, gestão ambiental e governança corporativa. 

O Itaú Unibanco adota uma abordagem holística para a sustentabilidade, integrando critérios ambientais, sociais e de governança em suas decisões de negócios e operações. Seus relatórios GRI incluem informações detalhadas sobre suas políticas e práticas de sustentabilidade, desempenho financeiro, engajamento com as partes interessadas e contribuição para o desenvolvimento sustentável.

Imagem simbolizando um report

Uma palavra final

Assim como, no século XX, os relatórios financeiros se disseminaram e padronizaram, no século XXI os relatórios de sustentabilidade vão fazer este trajeto.

O GRI puxou a fila de uniformização, ainda na década de 90. Hoje, é o principal padrão de relatos de sustentabilidade no mundo.

É bem verdade que a evolução deve nos levar a novos padrões de relatórios – tornando o GRI, eventualmente, obsoleto. Porém, hoje, este ainda é o mais importante standard do mundo e é muito importante que você aprenda ele caso queira produzir relatos.

Se quiser uma ajuda nesta trajetória, tenho certificação em GRI e já li dezenas de relatórios! Posso te ajudar neste caminho. Me manda um e-mail e vamos conversar 🙂

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