Ambiental, o E de ESG - o primeiro pilar sustentável

Se sua empresa quer implementar estratégias sustentáveis, vai precisar entrar a fundo no aspecto Ambiental – o “E” da sigla ESG.

Introdução ao ESG

Antes de entrarmos no aspecto ambiental, vale a pena conhecer mais da sigla ESG, que é a junção das letras iniciais das palavras environmental, social and governance (do inglês, ambiental, social e governança)

Por ser relativamente novo, o acrônimo ainda é chamado de diferentes formas aqui no Brasil, não sendo tão incomum ver o uso da sigla ASG (trocando o “E” de “Environmental” por “A” de “Ambiental”).

Essa sigla apareceu pela primeira vez em 2004, no relatório Who Cares Wins (Quem se Importa Vence), do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o Banco Mundial e rapidamente foi adotado pelo mercado financeiro para a avaliação de empresas baseada em práticas ambientais, sociais e de governança.

Nesse contexto, o aspecto ambiental (ou Environmental, em inglês) envolve toda gama de assuntos relacionados ao meio ambiente e leva em conta o uso dos recursos naturais de uma empresa e o efeito de suas atividades no meio ambiente – tanto para o seu funcionamento direto como para suas cadeias de suprimentos. 

Isso envolve desde a emissão de gases de efeito estufa (GEE) e do uso de energias renováveis até a gestão de resíduos e o cálculo da pegada de carbono.

Caso você se interesse pelos outros pilares, o S (Social) e o G (Governança), você pode ver mais deles aqui:

Breve Histórico da Evolução da Sustentabilidade Ambiental

Se você se interesse pelo aspecto ambiental, vale a pena entender que essa é uma batalha contínua que se iniciou há muitas décadas atrás e vem ganhando força a cada ano que se passa por meio de alguns eventos importantes.

Abaixo te deixo com uma breve cronologia sobre os momentos mais marcantes da sustentabilidade que culminaram na sigla ESG:

  • Conferência de Estocolmo, de 1972, foi um marco inicial com discussões sobre ecodesenvolvimento e redução de degradação ambiental;
  • Depois, em 1987, o Relatório de Bruntland (que é um documento intitulado Nosso Futuro Comum) definiu o conceito de desenvolvimento sustentável;
  • Tivemos em 1992 a Eco-92, conferência das nações unidas sobre o meio ambiente e o desenvolvimento, que produziu a Agenda 21;
  • Já em 1994, o termo triple bottom line (ambiental, social e econômico), o tripé da sustentabilidade, foi criado por John Elkington
  • Em seguida tivemos o protocolo de Kyoto, um tratado internacional com compromissos para a redução da emissão de gases de efeito estufa, aprovado na Rio+5, em Nova York no ano de 1997 ;
  • No ano de 2004 foi criado o relatório “Who Cares Wins” (citado acima), unindo empresas de investimento com a sustentabilidade;
  • E mais recentemente em 2015 tivemos a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, onde foi aprovada a agenda 2030 e os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS).

Todos esses eventos e momentos vêm criando uma pressão crescente voltada para empresas terem uma preocupação maior com o aspecto ambiental.

Riscos e Oportunidades no Aspecto Ambiental

Só para você ter uma ideia, organizações que não se preocupam com os efeitos de suas práticas no meio ambiente estão mais suscetíveis a um maior risco financeiro, já que se infringirem normas ou regulações ambientais podem ter que pagar multas, enfrentar punições regulatórias, além de processos criminais e danos à reputação. 

Além disso, já temos visto o impacto que as mudanças climáticas estão exercendo no planeta. Nos últimos anos temos visto um aumento da frequência de eventos climáticos extremos como secas, inundações, incêndios e ondas de calor que provavelmente vai afetar a cadeia produtiva da sua empresa de alguma forma.

Por isso, se você está pensando em considerar os aspectos ambientais na estratégia do seu negócio eu tenho algumas dicas interessantes.

Vale lembrar que cada empresa e setor de mercado tem características e oportunidades específicas. Abaixo são só alguns exemplos que podem se adequar mais ou menos ao seu caso.

  • Emissões de GEE – Para começar, sua empresa pode fazer um inventário das emissões de gases de efeito estufa. A partir daí é possível reduzir as emissões com a substituição de equipamentos pouco eficientes por outros que tenham selo A da Procel. Para empresas que tenham frota, a substituição de veículos que usam combustíveis fósseis por elétricos é um caminho. Se você atua em uma indústria, existem filtros que podem reduzir em até 90% as emissões.
  • Eficiência Energética – O básico envolve utilizar lâmpadas de LED no lugar de lâmpadas incandescentes e temporizadores ou sensores para determinar períodos em que a iluminação não é necessária. O uso de energia solar tem se tornado uma realidade para diversas empresas (o uso programa Ticket Verde da Finehra é um exemplo).
  • Gestão de resíduos – Para não ter problemas, comece compreendendo as leis e regras que se aplicam aos resíduos que a sua empresa gera (um bom lugar para começar é analisando as normas NBR 10.004 da ABNT). Depois de ter essa consciência, avance para o mapeamento dos resíduos gerados e desenvolvimento de um plano de gestão de resíduos sólidos.
  • Eficiência Hídrica – Monitore o uso de água, troque válvulas de descarga, verifique/conserte vazamentos e coloque temporizadores em pias. Num stágio mais avançado, é possível pensar em sistemas de reutilização de águas residuais e de aproveitamento de água da chuva.

Quais as diferenças entre a preocupação ambiental e o pilar dentro do ESG

Muitas empresas acreditam que estão atendendo aos aspectos ambientais dentro do pilar ESG por simplesmente fazerem ações pontuais de mobilização de colaboradores para plantar árvores ou fazer coleta seletiva de lixo.

A verdade é que ter uma preocupação mínima com o meio ambiente não significa necessariamente que a sua empresa está adotando estratégias sustentáveis dentro do aspecto ambiental.

Se você quer realmente tomar ações e medidas sustentáveis dentro do aspecto ambiental precisa alinhar os produtos ou serviços, estratégias da empresa e funcionamento como um todo com a agenda ESG.

Exemplos de Ações que se enquadram no E do ESG

Deixa eu te mostrar agora alguns exemplos práticos que podem te fazer entender alguns dos caminhos que você pode seguir na sua empresa. Para isso, vou entrar nas estratégias voltadas para o aspecto ambiental em dois relatórios de sustentabilidade:

1 – Ambev

A Ambev é a maior fabricante de cervejas do mundo e o seu Relatório de Sustentabilidade 2021 tem uma seção inteira de ações e estratégias voltadas para o planeta (exatamente com essa descrição, como você pode ver abaixo).

Relatório de Sustentabilidade 2021 da Ambev

Faz muito sentido essa preocupação quando pensamos que a Ambev é uma empresa que precisa da água para fabricar o seu produto final (bebidas). Veja um trecho do relatório onde eles ressaltam essa importância:

“Não existe vida, e muito menos cerveja, sem água. Cuidamos desse bem tão precioso dentro e fora dos muros da Ambev. Internamente, trabalhamos há mais de 20 anos com uma gestão pautada pela redução do consumo em nossas unidades fabris, pela preservação de bacias hidrográficas e pelo acesso à água potável.” 

Relatório de Sustentabilidade da Ambev

Algumas das estratégias que eles se propõem a fazer são:

  • Ações de restauração e conservação do solo em mananciais e bacias hidrográficas, inclusive fomentando o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais)
  • Recuperação e reutilização de água com a construção de estações de reuso usando tecnologia de ponta com redução média de 55% do consumo nos últimos 19 anos
  • Criação do negócio social AMA que leva água potável para comunidades do semi árido e periferias do Brasil
  • Foco na descarbonização com meta de 100% da eletricidade ser proveninente de energias renováveis até 2030

Veja o roadmap da descarbonização da Ambev:

Preocupação Ambiental: o roadmap de descarbonização da Ambev

2 – Grupo Hero Brasil

O Grupo Hero Brasil é uma empresa que comercializa produtos nas categorias de geleias, snacks saudáveis e alimentos diversos e no seu Relatório de Sustentabilidade 2020 conseguimos ver uma boa preocupação com o aspecto ambiental:

Relatório de Sustentabilidade 2020 do Grupo Hero Brasil

Algumas das estratégias que eles se propõe a fazer são:

  • Migração para o mercado livre de energia com meta de redução de 20% da geração de CO2
  • Implementação de uma ETA (Estação de Tratamento de Água) para reutilização da água
  • Foco no desenvolvimento de fornecedores locais com meta de 50% do volume comprado ser produtores nacionais
  • Criação do projeto “cultivating” para capacitação de fornecedores que precisam de ajuda para se enquadrar nas normas e documentações necessárias

Veja as ações de reciclagem e gestão de resíduos da Hero:

Preocupação Ambiental: Ações de reciclagem e gestão de resíduos da Hero Brasil

Sinergia entre o E do ESG e os ODS

Se você já está começando a implementar estratégias focadas nos aspectos ambientais do ESG, pode se interessar por alinhar essas ações aos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) mais relevantes (materiais) para o seu negócio.

17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável)

Veja um exemplo de como a Petrobras alinha os temas mais relevantes para a organização como um todo para os principais ODS. Veja que temas como a resiliência climática envolve os ODS 7 e ODS 13:

Como a Petrobras alinha os ODS a sua estratégia de sustentabilidade

Então se você quer ter um direcionamento alinhado com a Agenda 2030, o primeiro passo que aconselhamos é o desenvolvimento de uma avaliação de materialidade. 

Dessa forma, sua empresa terá o conhecimento de quais tópicos ESG fazem sentido para ela e, a partir daí, fica mais fácil ver quais ODSs são mais relevantes.

De maneira geral, os ODS que mais têm sinergia com ações voltadas para os aspectos ambientais são:

  • ODS 6 – Água Potável e Saneamento
  • ODS 7 – Energia Limpa e Acessível
  • ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura
  • ODS 13 – Ação contra a Mudança Global do Clima
  • ODS 14 – Vida na Água
  • ODS 15 – Vida Terrestre

Só para te dar mais um exemplo: sou conselheiro fiscal de uma ONG chamada Mar Adentro, que tem como propósito preservar o ecossistema marinho. Caso a gente traçasse estratégias pautadas nos ODS, com certeza os ODSs 14 e 6 seriam os mais relevantes para focarmos ações.

Como mensurar os aspectos ambientais

Se você começou a focar esforços nos aspectos ambientais e criou estratégias pautadas nos ODS, você está no caminho certo! Porém, o planejamento é só o início.

Você deve, a seguir, determinar pelo menos um indicador para cada estratégia. Sem indicadores é impossível saber se a implementação está tendo resultados efetivos ou se segue sendo só uma boa intenção. 

Um dos caminhos aqui é tomar como base a lista com indicadores separados em 3 níveis que a ONU desenvolveu para acompanhamento dos ODS ou pensar em outros indicadores que, quando medidos corretamente, vão te levar a entender se está mandando bem ou não. Veja alguns exemplos:

  • Resíduos gerados (em toneladas ou m3)
  • Emissão de GEE por unidade de produto produzido

Referências no tema Ambiental

O livro que eu mais gostei de ler recentemente sobre o assunto, embora já tenha ouvido ressalvas sobre, é Como evitar um desastre climático do Bill Gates. Ele explora formas diferentes de zerarmos as emissões de GEE até 2100. Segundo ele, essa é uma das poucas formas que pode fazer com que evitemos um desastre de proporções catastróficas no nosso futuro próximo.

Uma outra boa leitura que mostra a importância de líderes empresariais se posicionarem logo em temas ambientais é o livro A Sexta Extinção, da Elizabeth Kolbert. É impressionante quando nos damos conta que já estamos no meio de um extinção em massa de espécies. Para fechar as dicas, acompanhe a Agenda 2030 e entenda a fundo os temas mais relevantes mundialmente que podem impactar o seu negócio.

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