Imagem azul com ESG inscrito e o significado de cada pilar

Um relatório de sustentabilidade é um documento que uma organização utiliza para divulgar informações sobre seu desempenho nas dimensões ambiental, social e econômica – dimensões que, reunidas, formam o tripé da sustentabilidade. 

Este tipo de relatório, frequentemente chamado de relatório ESG (embora existam diferenças entre eles, que irei contar logo mais), oferece uma visão abrangente das práticas de uma empresa em relação à sustentabilidade.

A elaboração do relatório de sustentabilidade envolve a coleta e análise de dados relativos a vários aspectos da operação da empresa, tais como: consumo de recursos, emissões de gases de efeito estufa, práticas trabalhistas, impacto na comunidade e governança corporativa.

No texto a seguir falo sobre os principais aspectos ligados a este relatório e, no final, sobre como criar um documento deste tipo.

Ah… se você veio aqui procurar informações especificamente sobre ESG, temos textos dedicados ao tema. O que é ESG é o maior deles e pode te ajudar a entender o cenário desta agenda. Também temos posts específicos sobre o pilar ambiental, o pilar social e o pilar de governança.

ESG: ambiental, social e governança

Diferenças entre relatórios de sustentabilidade e relatórios ESG

Os termos “relatório ESG” e “relatório de sustentabilidade” são frequentemente usados de maneira intercambiável, mas existem algumas diferenças entre eles que vale a pena destacar.

Em resumo, essas são as diferenças:

Foco e Público-Alvo – O relatório ESG é mais focado em fornecer informações específicas para investidores, majoritariamente os que adotam estratégias de investimentos ESG, enquanto o relatório de sustentabilidade tem um foco mais amplo.

Conteúdo e Abrangência – O relatório ESG concentra-se nos três pilares principais (ambiental, social e governança), ao passo que o relatório de sustentabilidade pode abordar uma variedade mais ampla de tópicos relacionados ao desenvolvimento sustentável.

Objetivos – O relatório ESG visa fornecer informações que ajudem os investidores a avaliar os riscos, já o relatório de sustentabilidade busca comunicar os esforços e impactos da empresa em termos de desenvolvimento sustentável de forma mais geral.

    Por que fazer um relatório de sustentabilidade?

    Um relatório de sustentabilidade bem desenvolvido custa tempo e exigirá que você aprove um orçamento para ESG na sua empresa. Porque, então, elaborar um?

    Vamos lá!

    Primeiramente, um relatório de sustentabilidade demonstra comprometimento com a transparência. Permite que stakeholders, como investidores/as, clientes, funcionários/as e a comunidade, compreendam melhor as práticas e os impactos da empresa.

    Isto também gera um benefício reputacional: a empresa mostra seu compromisso com a responsabilidade social e ambiental, o que pode ser um diferencial competitivo.

    Por fim, o relatório de sustentabilidade é uma poderosa ferramenta de gestão. Na sua elaboração e, depois, na sua análise, é possível identificar oportunidades de melhoria em diversas áreas, contribuindo para a inovação e a eficiência operacional.

    Pessoas produzindo um relatório de sustentabilidade

    3 principais desafios para fazer um relatório de sustentabilidade

    Apesar dos benefícios, a elaboração de um relatório de sustentabilidade pode apresentar desafios relevantes. Listo abaixo 3 desafios que considero que estão entre os mais significativos: 

    Levantamento de dados – Muitas empresas podem não ter sistemas robustos para rastrear e medir seus impactos ambientais e sociais de forma adequada. Pegar estes dados com as áreas pode ser um grande desafio.

    Se adequar a um formato padrão – Fazer relatórios padronizados pode exigir muito conhecimento técnico. Se o relatório for no formato da Global Reporting Initiative (GRI), por exemplo, há um longo caminho a percorrer. Considere contratar uma assessoria.

    Ser realmente transparente – Um bom relatório é aquele que não se restringe a celebrar as conquistas. Ele também coloca luz sobre o que não está funcionando tão bem. Ter esse nível de transparência pode ser algo difícil de atingir, especialmente em áreas onde a empresa enfrenta problemas ou controvérsias. Pode ser que sua empresa seja obrigada a se adequar ainda mais à agenda ESG para produzir este documento!

    Tendências dos relatórios de sustentabilidade

    Nos últimos dez anos, diversas regulações, como a Diretiva 2014/95 da União Europeia e a Resolução CVM 193 vem levando mais empresas a divulgarem relatórios de sustentabilidade. 

    Na minha opinião, é um caminho sem volta. Um movimento análogo à universalização dos relatórios financeiros, no começo do século XX. 

    Neste contexto, uma tendência crescente é a digitalização dos relatórios, com o uso de plataformas online e interativas que tornam as informações mais acessíveis e envolventes para os leitores. 

    Outra tendência é a integração gradativa de modelos de relatórios. A integração das normas SASB (Sustainability Accounting Standards Board), GRI (Global Reporting Initiative) e IFRS (International Financial Reporting Standards) está em andamento e faz parte de um esforço mais amplo para criar um sistema de relatórios de sustentabilidade mais coerente e harmonizado.

    Imagem de uma tendência à sustentabilidade

    Normas e Padrões mais usados nos relatórios de sustentabilidade

    Existem várias normas e padrões amplamente reconhecidos que orientam a elaboração de relatórios de sustentabilidade. 

    Entre os mais utilizados estão as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), que oferecem um framework detalhado para a divulgação de informações sobre desempenho ambiental, social e econômico. 

    Outro padrão importante é o Sustainability Accounting Standards Board (SASB), que fornece normas específicas para diferentes setores industriais. 

    Além disso, o Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) é uma iniciativa global que incentiva as empresas a divulgarem informações financeiras relacionadas aos riscos e oportunidades climáticas. 

    Por fim, a IFRS (International Financial Reporting Standards Foundation), responsável pela emissão das normas internacionais de contabilidade (IAS/IFRS), está desenvolvendo um conjunto global de normas de relatórios de sustentabilidade. Este movimento foi acelerado pela criação do ISSB (International Sustainability Standards Board) em novembro de 2021

    3 Exemplos de Relatórios de Sustentabilidade

    Unilever: O relatório de sustentabilidade da Unilever é reconhecido por sua abrangência e detalhamento, cobrindo uma ampla gama de temas ESG, desde emissões de carbono até práticas de abastecimento sustentável.

    Itaú Unibanco: O banco brasileiro Itaú Unibanco publica um relatório de sustentabilidade que detalha suas práticas de governança, impacto social e ambiental, e iniciativas de inclusão financeira.

    Microsoft: O relatório de sustentabilidade da Microsoft foca em seus compromissos com a neutralidade de carbono, energia limpa e iniciativas de diversidade e inclusão.

      5 passos para fazer o relatório de sustentabilidade da sua empresa

      Passo-a-passo para fazer um relatório de sustentabilidade

      Confira aqui os passos para fazer um relatório de sustentabilidade para sua organização.

      Passo 1 – Entenda porque você está fazendo o relatório

      O primeiro passo na elaboração de um relatório de sustentabilidade é compreender claramente os motivos pelos quais a sua empresa está se comprometendo com essa tarefa.

      Isso pode incluir a necessidade de atender a requisitos regulatórios, a pressão de stakeholders, a busca por melhorias internas e a intenção de fortalecer a reputação da empresa. Definir os objetivos do relatório ajudará a orientar todo o processo e garantir que ele seja relevante e útil para a organização e seus stakeholders.

      Passo 2 – Determine as prioridades do seu relatório de sustentabilidade

      O próximo passo é identificar as questões mais importantes que precisam ser abordadas no relatório de sustentabilidade.

      Isso pode ser feito por meio de uma análise de materialidade, que ajuda a determinar quais tópicos são mais relevantes para a empresa e seus stakeholders. A análise de materialidade envolve a consulta a stakeholders internos e externos, a revisão de tendências do setor e a avaliação dos impactos ambientais, sociais e econômicos da empresa.

      Passo 3 – Construa a estrutura e levante dados

      Com as prioridades definidas, é hora de construir a estrutura do relatório e começar a coleta de dados. A estrutura do relatório deve ser organizada de maneira lógica e fácil de seguir, abordando cada um dos tópicos prioritários identificados.

      A coleta de dados pode envolver várias fontes internas, como relatórios financeiros, registros de operações, auditorias ambientais e pesquisas com funcionários. É importante garantir que os dados sejam precisos e completos, e que a metodologia de coleta seja transparente e replicável.

      Passo 4 – Finalize o relato e comunique

      Após a coleta e análise dos dados, o próximo passo é finalizar o relatório. Isso inclui a redação do documento, a revisão das informações e a formatação do relatório de maneira atraente e profissional.

      Uma vez finalizado, o relatório deve ser comunicado aos stakeholders de maneira eficaz. Isso pode envolver a publicação do relatório no site da empresa, a distribuição para investidores e a divulgação através de canais de comunicação internos e externos.

      Passo 5 – Revisão, aprendizado e preparação

      O último passo no processo de elaboração do relatório de sustentabilidade é a revisão e o aprendizado.

      Após a publicação do relatório, é importante coletar feedback dos stakeholders e avaliar o que funcionou bem e o que pode ser melhorado. Este processo de revisão ajuda a identificar áreas de melhoria para futuros relatórios e garante que a empresa continue a evoluir e aprimorar suas práticas de sustentabilidade.

      Além disso, a preparação para o próximo ciclo de relatórios deve começar imediatamente, com o estabelecimento de novas metas e a implementação de quaisquer mudanças necessárias.

      Conclusão

      Elaborar um relatório de sustentabilidade é uma tarefa complexa, mas altamente recompensadora. Ele não apenas melhora a transparência e a prestação de contas da empresa, mas também pode levar a uma série de benefícios, desde a melhoria da reputação até a identificação de novas oportunidades de negócios.

      Seguindo um processo estruturado e aderindo às melhores práticas e padrões internacionais, como as diretrizes GRI, as empresas podem criar relatórios de sustentabilidade que são informativos, relevantes e impactantes.

      Com a crescente importância da sustentabilidade no cenário global, investir tempo e recursos na elaboração de um relatório de sustentabilidade eficaz é uma decisão estratégica que pode trazer retornos significativos no longo prazo.

      Quer nossa ajuda para fazer seu relatório? Me chama e vamos conversar!

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