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Imagine que você está andando na rua e alguém te aborda pedindo dinheiro para uma organização social. O que você perguntaria?

Provavelmente, quem seria beneficiado pela doação. Idosos? Crianças?

Talvez perguntasse como eles seriam beneficiados. Com ações de educação? De saúde?

E se nada disso estivesse claro, você doaria?

Estas e outras respostas sobre uma ação social devem estar reunidas em um projeto, elaborado antes mesmo do primeiro pedido de dinheiro.

Um projeto de captação de recursos reúne, de forma planejada, todos os elementos de uma ação: do início, a justificativa, até o fim, a última linha de gasto previsto.

É muito importante que você invista seu tempo em elaborar um projeto de qualidade, que dê segurança ao doador e gere benefícios efetivos a quem você atende.

Vamos dar uma olhada em como elaborar esse tal projeto?

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O que é um projeto?

Como fazer um projeto de captação de recursos - o que é

A palavra “projeto” é a abreviação de “projeto social”, expressão usada com dois significados diferentes no terceiro setor.

Em alguns casos, “projeto social” é usado como sinônimo de ONG. Talvez você já tenha ouvido a frase “O Médicos Sem Fronteiras é um projeto social que ajuda pessoas no mundo todo!”.

Este uso não está certo e NÃO é o que vamos adotar aqui.

O sentido correto, que vamos abordar, é: um projeto consiste no planejamento de todos os aspectos de uma ação social prevista por uma ONG.

Assim como uma empreiteira pode ter vários prédios sendo construídos ao mesmo tempo, uma organização social pode ter vários projetos ocorrendo em paralelo.

Mas o que constitui, exatamente, um projeto?

São cinco aspectos!

Um projeto é único

Um projeto é um evento que não poderá se repetir. Acontecerá apenas uma vez, pois há especificidades que são só dele.

Se a sua organização social tiver, por exemplo, um projeto de aula de português para crianças, ele será único.

O projeto pode até se repetir ano após ano, mas serão necessárias adaptações. No mínimo, uma adaptação de calendário. Talvez você precise também ajustar o local de aplicação, quantidade de beneficiários, custo, etc.

De uma forma ou de outra, ele não vai ser repetir. É único.

Um projeto tem início e fim definidos

Qualquer projeto tem data para começar e data para terminar. Há casos, como em algumas leis de incentivo, em que um projeto pode ser estendido por sobra de recursos.

Porém, no planejamento, a temporalidade inicial deve estar prevista.

Um projeto tem objetivo claro e viável

O principal de um projeto é o objetivo.

Um projeto quer transformar alguma realidade, levando do “ponto A” ao “ponto B”.

Ele pode ter como objetivo, por exemplo, levar educação para 100% das crianças de até 5 anos no Brasil. Este é um objetivo muito ambicioso e requer muitos recursos e organização para ser viável. Provavelmente só pode ser executado pelo governo.

Um objetivo menor seria dar aulas de reforço escolar para 100 crianças de um vilarejo. Bem mais simples.

Independentemente do tamanho, o fundamental é que um projeto tenha um objetivo claro e viável.

Um projeto é progressivo

Por mais simples que seja o objetivo de um projeto, você não vai chegar lá de uma hora para outra. São necessárias etapas para atingi-lo, como se fossem degraus de uma escada.

Estas etapas são interligadas e vão se sucedendo ao longo do tempo, possibilitando uma conquista progressiva.

Para levar aulas de reforço de português para 100 crianças de um vilarejo, por exemplo, você precisa primeiro recrutar os professores e as crianças. Depois, buscar um lugar para dar as aulas. São tarefas que vão te deixando mais perto do objetivo.

Um projeto tem delimitação de recursos

Qualquer projeto tem um custo. Mesmo que não seja financeiro, o que é raro, um projeto demanda pelo menos tempo e esforço de pessoas.

É importante que você faça um levantamento muito criterioso para entender os custos de um projeto antes de executá-lo.

Conseguir os recursos necessários é um passo necessário para tirar seu projeto do papel.

Porque montar um projeto para captar recursos?

Como fazer um projeto de captação de recursos - porque

Captar recursos para uma ONG, como você já deve saber, não é fácil. O doador transfere recursos financeiros para uma organização porque tem confiança de que ela vai promover algum tipo de transformação. E essa confiança não é simples de conquistar.

Um projeto bem feito pode facilitar a sua vida nessa árdua tarefa de captar recursos. Quer saber porque?

Projetos dão segurança ao doador

Para qual das duas propostas você doaria: R$ 1 mil para a ONG X levar vacina de catapora a 50 crianças do interior da Bahia ou R$ 1 mil para a ONG Y pagar dívidas com um banco?

Se você é como a maioria das pessoas, preferiria a primeira opção.

Porque? Porque nela há uma proposta clara, derivada de um projeto bem formulado.

Um projeto bem feito mostra ao potencial doador o que a ONG pretende fazer e como. Isso dá a ele segurança de que os recursos serão bem utilizados e promoverão a mudança desejada.

Projetos te ajudam a se organizar

O cotidiano de uma organização social, como você bem sabe, é muito dinâmico. Muitas são as dificuldades e as emergências.

Neste contexto é muito fácil perder o foco e se dedicar a atividades pouco produtivas.

Um projeto bem estruturado é como uma trilha, que vai te permitir caminhar nesse cotidiano sem perder de vista seus objetivos.

Projetos te ajudam a entregar os resultados pretendidos

“Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve”. Talvez você já tenha ouvido esta frase. Ela fala sobre a importância do planejamento, de saber o que fazer antes de agir.

A razão de ser de uma organização social é o impacto positivo que ela gera. Porém, muitas vezes essa transformação não é mensurada. O trabalho é executado sem se saber, ao certo, qual seu resultado.

Projetos ajudam a ONG a saber por onde ela precisa ir e, principalmente, se ela chegou no lugar certo.

Tipos de captação de recursos

Como fazer projeto de captação de recursos -tipos

Uma das razões para se formular um projeto é facilitar a captação de recursos financeiros.

Mas que recursos são esses? Onde eles estão?

Um dos erros mais constantes das organizações sociais na captação de recursos é escolher uma estratégia sem antes ponderar as outras possíveis.

E elas são muitas.

Recursos financeiros podem ser acessados de formas tão variadas quanto realizando eventos, participando de editais ou fazendo campanhas junto com empresas.

Para facilitar a exposição destes caminhos, vou dividi-los em 3.

Captação de recursos privados

Esta é, talvez, a fonte de recursos mais conhecida pelas organizações sociais. E a que mais estratégias oferece.

Recursos privados são aqueles provenientes de empresas ou de indivíduos, que doam voluntariamente para uma organização.

Mas quais estratégias permitem acessar recursos privados? São 8:

  1. Telemarketing: busca de recursos através de ligações telefônicas realizadas, na maioria das vezes, a partir uma central. Estratégia famosa na década de 90, que tem perdido força
  2. Editais privados: chamadas públicas abertas por pessoas jurídicas que selecionam ONGs para receberem um recurso ou premiação previsto
  3. Financiamento coletivo pontual: campanhas realizadas pela internet com temporalidade definida. Captam valores variáveis de uma grande quantidade de doadores, uma única vez. Popularmente conhecida no Brasil como “Vaquinha”
  4. Financiamento coletivo recorrente: campanhas realizadas pela internet sem temporalidade definida. Captam valores variáveis de uma grande quantidade de doadores, cuja doação se repete mensalmente. Modelo semelhante aos programas de sócio-torcedor de clubes de futebol brasileiros
  5. Grandes doadores: Indivíduos de alto poder aquisitivo que doam, sem contrapartida fiscal, valores superiores a R$ 10 mil por ano
  6. Face-to-face: grupos de pessoas que vão às ruas buscar recursos diretamente com indivíduos, pedindo dinheiro cara a cara
  7. Doação direta de pessoa jurídica internacional: doação de empresas, institutos, fundações ou organismos internacionais feita diretamente para a organização social, sem necessidade de editais
  8. Doação direta de pessoa jurídica nacional: doação de empresas, institutos, fundações ou organismos nacionais feita diretamente para a organização social, sem necessidade de editais

Captação de recursos governamentais

Esta é a fonte de recursos tradicionalmente mais acessada por organizações sociais de cidades do interior.

Recursos governamentais são aqueles repassados do governo para as ONGs. Há 3 estratégias para captar recursos com o governo:

  1. Emendas parlamentares: recursos enviados para as organizações sociais através de emendas apresentadas por deputados
  2. Termo de Fomento e Termo de Colaboração: contratos firmados entre o ente público e ONGs, para execução de um projeto previsto. Termos de Fomento ocorrem quando a organização pede recursos públicos. Termos de Colaboração, quando o governo faz o oferecimento.
  3. Leis de incentivo: leis específicas que permitem a empresas e pessoas físicas doarem com abatimento fiscal. Como o valor doado deixa de ser arrecadado pelo governo, pois é abatido de impostos, considera-se que seja a doação de um recurso público

Captação de recursos através de geração de renda

Apesar desta ser a fonte menos conhecida de captação de recursos, suspeita-se que seja a maior responsável pela sustentabilidade das ONGs hoje no Brasil.

Geração de renda é o conjunto de estratégias que geram resultados financeiros positivos para uma organização social a partir de uma atividade econômica desempenhada por ela.

Há 7 formas da ONG gerar resultado financeiro positivo:

  1. Licenciamento: a organização cria um personagem e escolhe empresas para venderem produtos com a imagem dele, pagando royalties
  2. Fundos patrimoniais: montante de recurso financeiro de propriedade da organização, investido obedecendo a legislação específica. O rendimento é utilizado pela ONG
  3. Aluguéis: recursos provenientes de imóveis de propriedade da organização, que são alugados para inquilinos
  4. Eventos: realização de evento com 100% da renda revertida para a organização social
  5. Serviços: prestação de serviços pela organização, como consultoria
  6. Produtos: comercialização de produtos, que podem ser doados para a organização revender ou produzidos pela própria ONG
  7. Marketing de causa: campanhas realizadas em parceria entre empresa e organização. A empresa usa sua capacidade de gerar recursos e a ONG cede a imagem e o propósito
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Como estruturar o seu projeto de captação de recursos na prática?

Como fazer um projeto de captação de recursos - passos

Hora de partir para a ação! Montando um projeto você aumenta suas chances de captar recursos.

A seguir, 4 passos para elaborar seu projeto.

1º passo: Definir o problema

A primeira pergunta a ser respondida é: o seu projeto precisa MESMO existir? Ele busca resolver um problema real ou apenas um incômodo seu?

O momento de montar a justificativa é o de olhar para fora. Tirar um pouco o foco da organização e colocá-lo no mundo, para compreender o problema em sua dimensão maior.

Seria como um médico que, antes de receitar o remédio, pede ao paciente que faça exames.

Mas como fazer isso? Como “fazer exames”? 

Pesquisando!

Busque dados oficiais, números e converse com especialistas. Não se esqueça de conversar também com potenciais beneficiários, ou seja, aqueles que vivenciam a realidade que você quer transformar.

Há inúmeros casos de projetos desenvolvidos sem uma pesquisa prévia que não resultaram nos objetivos pretendidos.

O autor e palestrante italiano Ernesto Sirolli relata, em um famoso TEDx, uma tentativa fracassada de desenvolver economicamente uma aldeia na África.

Europeus levaram sementes de tomate, pagaram os nativos para plantarem e garantiram sua venda na Europa a preço elevado. A aldeia aumentaria a renda em muitas vezes, melhorando a vida dos habitantes.

A plantação de tomate, entretanto, foi destruída quando uma manada de rinocerontes passou sobre ela.

Os europeus descobriram da pior forma possível que o solo estava ocioso porque era rota de manadas de rinocerontes.

Se tivessem pesquisado adequadamente, teriam repensado o projeto.

Escrevendo a justificativa

Depois que você fizer uma apuração adequada, é hora de colocar sua justificativa no papel. Escreva os dados consolidados da sua pesquisa, mostrando a amplitude do problema e como a iniciativa pretendida por você busca solucioná-la.

Uma justificativa bem escrita, além de te dar mais segurança sobre o projeto, ainda funciona como um excelente argumento para captar recursos.

Uma organização social que queira levar internet para escolas públicas, por exemplo, pode apresentar na justificativa um cenário sobre a conectividade da educação brasileira e os benefícios da internet no aprendizado.

2º passo: Definir a solução

Nesta etapa você vai mostrar como pretende solucionar o problema apresentado.

Note que talvez, depois de escrever a justificativa, você conclua que a solução imaginada pode não ser a melhor.

Não tem problema! Você sempre pode repensar o projeto para buscar soluções mais ajustadas.

A solução é composta de 6 partes

1.      Apresentação

Apresente, de maneira genérica, sua ideia. Evite se alongar muito ou usar termos técnicos.

Lembre-se que o projeto será lido, na enorme maioria dos casos, por pessoas que não conhecem a sua área de atuação. Portanto, simplifique.

Ao invés de dizer, por exemplo, que seu projeto é “Uma iniciativa pedagógica de acolhimento em horário integral para crianças da primeira infância com culminâncias temáticas bimestrais”, você pode simplesmente dizer que o projeto é uma creche.

Seja breve.

2.       Como funciona

Hora de falar um pouco sobre como você pretende chegar lá!

Este é também um item onde você deve ser bem claro e objetivo. Exponha como será, na prática, o projeto. Quais atividades serão desenvolvidas. Novamente, não se aprofunde em termos técnico, terminologias ou jargões.

Se o seu projeto for de uma creche, torne claro para o potencial doador como será o funcionamento.

Um bom exemplo é: “A Creche funcionará de segunda a sexta, de 9h às 16h. Terá dois períodos de férias anuais, nos quais não haverá nenhuma atividade. Em cada um dos quatro períodos bimestrais haverá um tema principal cuja atividade final servirá como avaliação da criança”.

Lembre-se que você ainda detalhará, nos itens a seguir, informações mais específicas.

3.  Colaboradores envolvidos

Detalhe quem são as pessoas da organização envolvidas no projeto.

O ideal é que o detalhamento esteja exposto em uma planilha de quatro colunas, divididas entre: Nome do colaborador, escolaridade, cargo, vínculo trabalhista e tipo de remuneração.

Considere colaboradores do projeto não apenas aqueles diretamente envolvidos, mas todos que precisam contribuir para que ele aconteça. É possível que você insira também pessoas do setor administrativo, por exemplo.

Também não deixe de listar voluntários. Por mais que eles não sejam remunerados, são fundamentais para o sucesso do projeto.

4.  Região do projeto

Insira o local em que o projeto será desenvolvido. Por mais que ele esteja aberto a pessoas de todo Brasil, sem discriminação, há sempre uma ou mais sedes.

5.  Público do projeto

Defina qual público você pretende atingir. Deixe clara a idade dos beneficiários, sua condição socioeconômica e a localidade.

Não caia no erro de delimitar pouco este beneficiário. Ele é seu cliente e você deve saber bem quem é.

Também não se esqueça de colocar o número de pessoas que você pretende atingir diretamente.

6.       Cronograma de atividades

Faça uma tabela com cada um dos meses em que o projeto irá ocorrer e as atividades a serem executadas.

Não precisa descrevê-las em detalhes, mas é importante dar ao doador a noção de quando cada uma das etapas irá ocorrer.

Nesta tabela, tenha duas colunas. Na da esquerda coloque o mês em que pretende atuar e na da direita, resumidamente, a(s) atividade(s) executada(s).

3º passo: Como a solução será avaliada?

Depois que terminar a execução do cronograma, você precisará avaliar se a solução foi bem sucedida.

A avaliação do impacto é frequentemente a parte mais negligenciada pelas organizações sociais quando elaboram um projeto.

Uma avaliação precisa é fundamental para você e sua equipe saberem se estão indo pelo caminho certo, e quais correções são necessárias. Também é importante para captar recursos, pois dá segurança ao doador.

Mas como criar métricas de impacto que te permitem avaliar os resultados de forma planejada?

1.  Estabeleça os objetivos do projeto

O primeiro passo para criar métricas consistentes é estabelecer objetivos.

Elabore entre três e cinco objetivos pretendidos. Um número menor que esse pode ser muito pouco para o trabalho que você terá. Um número maior pode tirar seu foco do que realmente importa.

Se você cuida, por exemplo, de um projeto que ensina tênis para crianças em situação de alta vulnerabilidade social, quais poderiam ser os objetivos?

Um deles poderia ter relação com melhorar a saúde das crianças. Você poderia também ter como objetivo desenvolver valores ligados à prática esportiva. Talvez, em paralelo, objetive melhorar o rendimento escolar dos alunos.

Crie poucos objetivos claros, que tenham muito significado para você e derivem da solução proposta.

2.  Crie indicadores

Agora que você já tem objetivos, estabeleça indicadores.

Como o nome diz, indicadores servem para indicar. Neste caso, indicar que o objetivo está ou não sendo cumprido.

Retomando o exemplo acima, quais indicadores poderiam ser estabelecidos?

Para o objetivo de melhorar a saúde das crianças, um indicador poderia ser uma avaliação de desempenho físico por um especialista. Ou poderia ser algo subjetivo, como uma nota dada pelos responsáveis com a percepção deles sobre hábitos saudáveis da criança.

O importante é que seus indicadores possam ser medidos antes e depois da execução do projeto, para saber se houve evolução.

Um indicador medido apenas depois do período de execução não é válido, pois você não terá comparativo.

Indicadores subjetivos e pouco claros, como “O brilho nos olhos das crianças” ou “A alegria dos nossos alunos” também não tem validade para mensurar o impacto gerado.

3.  Estabeleça metas

Os indicadores devem indicar se a solução funcionou.

Mas o que é, exatamente, “funcionar”? Isso também deve ser previamente estabelecido.

Para cada indicador você deve criar uma meta. Uma meta se difere de um objetivo, uma vontade ou uma intenção devido a 5 características:

  1. Específica – Toda meta precisa identificar o resultado de uma forma específica, não geral. Se o seu indicador, seguindo o exemplo acima, é uma avaliação de desempenho físico de uma criança feita por um especialista, a meta pode ser a “evolução da condição cardiorrespiratória do jovem”. Isso é bem específico e claro ao contrário, por exemplo, de “uma saúde melhor”.
  2. Mensurável – Uma meta precisa ser medida. Ou seja, deve ter um número associado a ela. O que você consideraria, numericamente, a evolução cardiorrespiratória de um jovem? A melhoria de 20% na performance em um teste de esforço?
  3. Alcançável – Sua meta deve ser possível de atingir. Distante o suficiente para ser desafiadora, mas não tanto para que se torne irreal. Melhorar a condição cardiorrespiratória de um jovem em 20% durante o período do projeto é muito? Pouco? Isso cabe a você avaliar.
  4. Relevante – A meta tem relevância para você? Faz sentido para o jovem? Dialoga com o problema? Uma meta relevante é aquela que te faz responder “sim” às três perguntas acima. Você pode considerar, por exemplo, que “Evolução de 20% na condição cardiorrespiratória do jovem” simplesmente não resolve o problema que te incomoda. Ou concluir que é EXATAMENTE isso que te motiva e que resolve o problema que você identificou.
  5. Temporal – Toda meta precisa ter temporalidade definida. No caso do seu projeto, isso provavelmente é fácil, pois o tempo para você atingir a meta é o tempo de funcionamento dele.

Lembre-se de criar uma meta para cada indicador. Isso te permitirá mensurar se o objetivo relacionado àquele indicador foi atingido.

4º Passo:  Elabore um orçamento

Se você seguiu todos os passos até aqui, já tem o carro montado! É como se tivesse colocado os pneus, a carroceria e agora ele esteja pronto para partir.

Porém, falta um detalhe: a gasolina.

O seu projeto só pode sair do papel se tiver os recursos disponíveis. Mas quanto?

Essa resposta será dada pelo seu orçamento. Um orçamento é o conjunto de despesas previstas para a execução de um projeto.

Olhando para ele você sabe exatamente de quanto vai precisar para executá-lo e em qual despesa cada real será gasto.

Seu orçamento deve estar dividido em quatro categorias:

4.1   Recursos humanos

Esta categoria refere-se às despesas com pessoas. Ela será, provavelmente, a mais elevada do seu projeto. Contratar e remunerar pessoas não é barato – nem deveria ser, pois elas são a alma de tudo.

Para não se confundir, coloque em cada linha do orçamento o nome do profissional, qual a sua função, quanto ele vai receber por mês, quantos meses vai trabalhar e qual seu custo total.

Lembre-se de colocar TODOS que tem relação com o projeto, incluindo profissionais da área administrativa.

Se você quer dar aulas de tênis, por exemplo, de quais profissionais precisaria? Talvez quatro professores de tênis, um coordenador esportivo e um coordenador geral.

4.2   Material

Estas são as despesas relativas a coisas materiais que você precisará adquirir para que o projeto tenha vida.

Bolas, cadernos, canetas, lápis… a compra de todos estes insumos deve estar prevista, com o preço que você pretende pagar e quantidade necessária.

4.3   Transporte e alimentação

Seu projeto também precisará de recursos para transporte e alimentação.

Ambos podem ser destinados aos beneficiários e/ou os professores.

Transporte pode incluir passeios pedagógicos, vales-transporte para os profissionais ou mesmo viagens para disputa de torneios ou participação em feiras.

Alimentação envolve cestas básicas distribuídas aos familiares, vales-refeição para os profissionais, lanches para os beneficiários ou mesmo um jantar de fim de ano.

4.4   Outros

Nesta categoria você deve inserir despesas que não se encaixam em nenhuma das anteriores. Aqui você pode colocar, por exemplo, contador e aluguel, que dão suporte ao projeto.

Pense em TUDO que está relacionado com a execução prevista e coloque aqui. Lembre-se que custos indiretos, apesar de menos visíveis, também estão relacionados e precisam ser cobertos por doações.

6 Dicas da Norte para elaborar seu projeto de captação de recursos

Como fazer captação de recursos - dicas

Ufa! Foi um longo caminho até aqui.

A maior dor das organizações sociais é a falta de recursos financeiros, que está intimamente ligada à falta de planejamento.

Um projeto claro e bem feito te dá a exata noção de quanto você precisa captar e dá segurança aos seus potenciais doadores.

Para tornar o projeto ainda melhor, dá uma olhada nessas dicas que eu preparei para você!

1.  Faça o diagnóstico do problema com calma e ouvidos abertos

A elaboração de um projeto de captação de recursos é a expressão da essência de uma pessoa. Um projeto é feito por pessoas tocadas por um incômodo muito grande que resolveram arregaçar as mangas para melhorá-lo.

Por isso, é normal a ansiedade e “botar pra fazer” logo.

Antes de partir para a ação, porém, é importante que você tenha calma para entender se o problema que você percebeu é REALMENTE um problema ou se é apenas um incômodo seu.

Na etapa do diagnóstico você pode entrar em contato com informações que contrariem sua percepção inicial. Esteja aberto a ressignificar o problema, que pode sequer existir.

Há um caso famoso de uma fundação brasileira que queria levar cisternas de água a uma comunidade do interior do país. Todo dia dezenas de mulheres precisavam ir a um rio, a quilômetros de distância, e trazer água em baldes. A cisterna levaria água diretamente às casas.

Qual foi o resultado deste projeto? Ele nem saiu do papel. Conversando com as mulheres a fundação diagnosticou que elas não queriam a cisterna. A ida ao rio era a atividade diária delas. O momento em que estreitavam laços, conversavam sobre a vida e se ajudavam mutuamente.

Diagnosticar que a falta de água encanada era um incômodo dos gestores da fundação, não da aldeia, foi fundamental para evitar que o projeto saísse do papel e virasse um grande equívoco.

2.  Seja curto e objetivo

Um dos males do mundo moderno é a quantidade de informação que recebemos diariamente. O ser humano nunca teve acesso a tantos dados, números, textos, vídeos, etc.

Seu projeto será apenas mais uma informação na longa lista dos que bombardeia um potencial doador em um dia comum.

Por isso, seja breve. Use parágrafos curtos, que expressem o que você quer dizer de maneira concisa.

Já trabalhei como avaliador de muitos editais e posso dizer com conhecimento de causa que projetos grandes e pouco objetivos muitas vezes nem são lidos.

Se você quer que seu projeto seja lido e receba apoio, não se estenda muito.

3.  Escreva um projeto com foco do doador

Essa dica pode parecer estranha. Como assim “foco do doador”? O foco de um projeto não é o beneficiário?

Sem dúvidas, sim! A razão de ser de um projeto é o impacto positivo que ele vai causar.

Mas, para acontecer, um projeto precisa captar recursos – e ele só terá sucesso nessa árdua tarefa se estabelecer uma conexão com o potencial doador.

Por isso, escreva pensando em quem irá lê-lo.

Não estou dizendo aqui para você mudar completamente um projeto, escrever algo em que você não acredita ou totalmente distante da realidade da sua organização. Já vi isso acontecer muitas vezes, e definitivamente não dá certo.

Porém, você deve escrever aquilo em que você acredita de uma forma clara e inteligível para o seu potencial doador. 

E ele provavelmente não tem uma fração do conhecimento de causa que você tem.

Por isso, tome cuidado com raciocínios muito complexos, definições pouco claras ou uma linguagem de nicho.

Já li muitos projetos de educação que falavam, por exemplo, em “culminância”. Para quem trabalha com pedagogia, este termo é bastante comum. Para o potencial doador, muito provavelmente não.

Outro jargão que traz muitas dúvidas é “contraturno”. Para quem trabalha com terceiro setor, este é um termo recorrente. Para um potencial doador, é mais claro falar “período do dia em que a criança não está na escola”.

4.  Insira custos administrativos no projeto

Uma das grandes queixas das organizações sociais é a falta de recursos para as “despesas administrativas”, como aluguel, contador, salários ou assessoria jurídica.

Apesar delas serem fundamentais para o funcionamento do projeto, os doadores frequentemente preferem aportar recursos em despesas mais “diretas”, ou seja, relacionadas com o beneficiário.

Minha dica aqui é: insira despesas administrativas no orçamento do projeto e converse com o doador. Mostre para ele o quanto é importante que o projeto pague, pelo menos parcialmente, o salário do contador, o aluguel da sede ou o salário do diretor.

Se você não quiser inserir a integralidade da despesa administrativa no orçamento do projeto para que não fique muito caro, coloque pelo menos parte dela.

Se o projeto que você está construindo consumir 20% do orçamento global da ONG, insira no projeto 20% do valor do contador.

5.  JAMAIS deixe de elaborar métricas

Tão fundamental quanto executar o projeto é medi-lo.

É um consenso entre as organizações sociais que há duplicidade de trabalho entre iniciativas semelhantes que, muitas vezes, não geram um impacto que justifique seu custo.

Isso poderia ser evitado com uma mensuração de impacto adequada. Num mundo ideal em que todas as organizações tivessem métricas de impacto bem definidas, saberíamos as que estão cumprindo um belo papel social (acredito que a maioria) e as que poderiam se fundir com outras ou deixarem de existir.

Neste mundo ideal, poderíamos focar os recursos em quem efetivamente resolve problemas e prestam um serviço para o beneficiário.

6.  Você não precisa ser global

Eu tenho certeza que o problema que você quer enfrentar é grande.

Porém, sua solução não precisa ser do tamanho do problema. Trabalhar na área social é contribuir, dentro das suas possibilidades, para sanar um problema que está aí muito antes da gente existir e que provavelmente seguirá depois que partirmos.

Por isso, planeje soluções – e projetos – do tamanho que você consegue executar. Resolver parcialmente um problema local já é uma grande contribuição para a sociedade.

Mais do que arrumar tudo, busque melhorar o que está ao seu alcance com qualidade de entrega. Isso vai fazer seu projeto ser apoiado sempre.

E ai, gostou desse guia de elaboração de projetos?

Se você seguir todos os passos direitinho, vai ter uma belo documento em mãos, que vai aumentar muito sua chance de captar recursos.

Fico alguma dúvida? Me conta!

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