Carta aberta da Norte
planilha planejamento recursos

Olha, eu vou ser sincero: sempre tive implicância com consultoria para ONG.

Achava estranho um pessoal vendendo coisa pra ONG. Ainda mais nos casos em que “meu Deus, ele/ela nunca nem fez… como tão ensinando como fazer?”.

Por isso mesmo, nunca quis abrir consultoria. Acho, na verdade, que a consultoria que me abriu.

A gente não montou a Norte para ganhar dinheiro. Não que tenha algo errado nisso. Não tem. Não que não vá ganhar dinheiro. Acho que vamos. Mas o estímulo não veio daí.

Abrimos a Norte porque queremos fazer a diferença e fazer diferente.

O Brasil tem centenas de milhares de ONGs. Uma turma que é a minha turma. Com quem passei praticamente toda minha trajetória profissional.

Uma turma de quem ouvi, desde sempre, que a situação “tava difícil”.

Tava difícil o governo. Tava difícil a economia. Tava difícil a cultura de doação. Tava difícil.

“Mas pô… essa turma é tão legal”, eu sempre pensei, “Porque a situação tá sempre difícil?”

A coisa ficou mais estranha conforme eu fui notando que do outro lado, do lado dos doadores, tinha uma turma que também tava querendo. E essa turma também era legal.

Dos dois lados tinha uma turma legal. Dos dois lados tinha uma turma querendo um país melhor. Mas essas turmas não se encontravam muito.

A Norte veio dessa angústia. De ver que tem muito dinheiro para doação no Brasil e muita gente precisando desse dinheiro para melhorar o país. Mas as turmas não se encontram.

A Norte foi a forma que encontramos para materializar essa tentativa de solução. QUEREMOS AJUDAR AS ONGS A CAPTAREM MAIS E MELHOR.

Não acreditamos num modelo de captação de recursos como um eterno pedir desenfreado. Como a reprodução, na captação, do “fazer” contínuo e em looping de tantas ONGs.

Esse “modo fazer”, o da urgência, o tal do “sempre foi assim, sempre estamos precisando e sempre pedindo” simplesmente NÃO RESOLVE. Pelo contrário. Aumenta o problema. Sabe porque?

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1 – Porque muitas vezes a doação custa mais do que arrecada. Sabe aquela empresa que te ofereceu algo que você nem precisava tanto, mas você ficou com vergonha de recusar e gastou um tempão para buscar? Ou aquela ação que você realizou para ficar bem com um doador, mas não arrecadou quase nada? Casos em que o “fazer”, na verdade, te deu prejuízo. Você podia ter gasto seu tempo de forma planejada em algo que realmente ajudasse a resolver o problema. Mas acabou gastando com algo que nem precisava.

2 – Porque a rede desgasta e os doadores vão embora. Quem vive na urgência tenta captar na base do desespero. Aquele “Salve estes 50 cãezinhos, eles não terão comida daqui a 2 dias” pode até funcionar uma ou duas vezes. Na terceira, seu doador não vai mais se interessar. Sabe porque? Porque ele quer sentir que fez a diferença. Qual diferença ele está fazendo se o problema volta toda vez? Se ele precisa doar de novo e de novo para a mesma causa? Não é muito melhor construir uma relação e trazer ele para projetos de longo prazo? “Doe R$ 50 por mês para gente ampliar o canil e manter 50 cachorros”. Mais atraente, né?

Acreditamos na captação como atividade planejada e de longo prazo. Atividade em que a ONG se coloca como geradora de valor para rede. Em que o “fazer” é parte, não o todo.

Acreditamos nisso. Sabemos que dessa forma funciona. Queremos disseminar isso. Queremos participar desse processo junto com as ONGs.

Por isso a Norte existe. Por isso a consultoria. Porque queremos que esse conhecimento, de que existe uma forma melhor de captar, chegue para quem precisa. Queremos que toda ONG saiba captar recursos com um mínimo de direcionamento. Por essa missão. 

Ah… e outra coisa. Sei que é mais moderno e apropriado usar OSC. Tamo sabendo. Mas enquanto a turma falar “ONG”, vamos de “ONG” mesmo. Queremos chegar, comunicar, ajudar.

E vamos fazer como necessário para ir mais e melhor. Seja falando ONG ou adotando a forma de consultoria. Até que não seja mais. Aí a gente muda. Mas a missão não. A missão tá aí.

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