ESG

Você já ouviu falar em ESG? 

ESG é uma sigla que veio para ficar. Essas três letras, quando reunidas, transmitem uma mensagem importante: preocupações sociais e ambientais devem fazer parte da vida de qualquer empresa, não apenas o lucro. 

O resultado financeiro positivo deve ser acompanhado pelo atendimento a parâmetros mínimos de preservação do meio ambiente, respeito aos direitos humanos, transparência, etc.

Vamos conhecer um pouco mais?

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O que “ESG” significa?

ESG é a junção das letras iniciais das palavras environmental, social and governance (do inglês, ambiental, social e governança). A sigla apareceu pela primeira vez em 2004 no relatório Quem se importa vence: conectando mercados financeiros a um mundo em mudança, do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU)

Desde então, essa sigla vem ganhando força! A Agenda 2030 da ONU, por exemplo, estabelece metas com o objetivo de erradicar a pobreza, combater a desigualdade e proteger o meio ambiente. Essas metas são voltadas principalmente aos governos, mas a compreensão de que o setor privado desempenha um papel importante fez com que crescesse o debate em torno do ESG.

BlackRock e o grande impulso de “ESG”

Você conhece a BlackRock? Ela é a maior gestora de ativos do mundo, com cerca de U$6 trilhões de patrimônio sob gestão (TRILHÕES DE DÓLARES… você leu certo!!). 

Em termos simples, a BlackRock investe esse montante gigante em outras empresas, que geram retornos aos investidores. 

Em janeiro de 2020, Larry Fink, diretor-presidente da BlackRock, enviou uma carta anual aos executivos da empresa reconhecendo que mudanças climáticas transformarão as finanças globais. 

Afirmou também que a sustentabilidade passaria a ser levada em conta nas decisões da gestora, que, por exemplo, sairia de investimentos de alto risco em termos de sustentabilidade.

Por que esse foi um marco tão importante? Por um motivo simples: a BlackRock tem dinheiro – muito dinheiro. Se ela diz que seguir práticas de ESG é importante para que empresas recebam o seu investimento, elas terão um estímulo gigantesco para seguir. Caso contrário, não poderão contar com investimentos da BlackRock.

Uma vez que essas empresas adotem práticas de ESG, outras ligadas a elas também precisam adotar… e assim temos um efeito dominó enorme!

E, S e G: o que cada letra quer dizer?

Talvez você esteja se perguntando: “Ok, entendi que estamos falando de algo grande! Mas, na prática, como é esse tal de ESG?”

Para responder a essa pergunta, vamos analisar cada uma das três letras da sigla

Environmental (ambiental)

No eixo ambiental, espera-se que empresas levem em conta os impactos que suas operações têm sobre o meio ambiente, adotando medidas para minimizar impactos negativos futuros e reparar impactos negativos que já tenham sido causados. 

Uma indústria que funciona perto de um rio, por exemplo, deve buscar ao máximo preservá-lo. Se houver alguma poluição, é necessário que se dedique imediatamente a limpá-lo.

Se você tem uma ONG ligada à causa ambiental, já deve ter visto aqui uma oportunidade!

Social

Dentro das práticas sociais, empresas devem olhar para os impactos sobre os direitos de seus empregados, colaboradores e comunidade no entorno

Isso inclui observar políticas de diversidade, o combate ao trabalho análogo ao escravo e trabalho infantil, pagamento justo aos colaboradores, instituição de políticas de combate ao assédio, escuta às comunidades locais, entre outros. 

A respeito da diversidade, estudos revelam, inclusive, que essas práticas podem ter uma relação direta com a boa performance financeira de uma empresa. 

Talvez você também tenha visto aqui uma oportunidade para sua ONG… já já falaremos disso!

Governança

Tradicionalmente, governança corporativa é o sistema pelo qual empresas são dirigidas e monitoradas.

O G de “ESG” faz referência a boas práticas para dirigir e monitorar empresas, em linha com as que descrevi acima.

Aqui eu poderia citar: políticas de transparência e acesso à informação, independência do conselho de gestão da empresa, existência de regras claras sobre ética corporativa, uma estrutura empresarial adequada, entre outros.

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ESG é mais do mesmo?

Você pode ter lido as linhas acima e pensado que ESG é uma velha história com nova embalagem: empresas querendo fazer algo para minimizar impactos socioambientais.

Será que é isso mesmo?

ESG e termos similares

De fato, ESG é, em partes, semelhante a conceitos já bem antigos. 

A Responsabilidade Social Corporativa, por exemplo, chegou no Brasil ainda no último século. Faz referência a contribuições das empresas para o desenvolvimento sustentável – fora das obrigações legais. Uma distribuição de cestas básicas de uma empresa para a comunidade do seu entorno, por exemplo, pode ser enquadrada neste escopo.

Outro conceito bem semelhante é o Triple Botton Line. Trata-se de uma linha de gestão que preza pela sustentabilidade de forma ampla, considerando aspectos sociais, ambientais e econômicos.

Diferenciais de ESG

No meu ponto de vista, entretanto, ESG traz duas novidades principais: aponta de forma clara onde as empresas devem agir e é voltado para investidores.

Em primeiro lugar, ESG estabelece áreas de ação para empresas: Ambiental, Social e Governança. Enquanto responsabilidade social, por exemplo, é um termo mais amplo, ESG aponta onde os recursos e a energia da empresa devem se concentrar. 

Isso também mostra que as empresas devem se preocupar com os impactos negativos que elas causam sobre o meio ambiente e os direitos humanos. A balança não se equilibra quando existe uma ação de responsabilidade social bacana de um lado, mas impactos negativos de outro. 

Em segundo lugar, ESG é voltado fundamentalmente para investidores. E qual a grande novidade nisso? A diferença é que, se investidores adotam ESG como parâmetro para investir seu dinheiro, as empresas, que precisam do dinheiro, se veem pressionadas a fazer também – como aconteceu no caso da BlackRock.

Greenwashing e socialwashing: como ESG pode ser usado com finalidades erradas

Os termos greenwashing e socialwashing (lavagem verde ou lavagem social, em português) são empregados para os casos em que práticas ambientais e sociais são utilizadas como ferramenta de propaganda, sem que ocorram na prática. 

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) analisou os rótulos de mais de 500 embalagens de produtos para identificar a prática de greenwashing. O estudo identificou que 48% das embalagens continham informações falsas sobre práticas de responsabilidade ambiental.

Para evitar essas armadilhas, o IDEC recomenda que consumidores fiquem atentos a alguns fatores no momento da compra, incluindo a utilização de termos vagos (como “ecológico”, “sustentável”, entre outros) e a existência (ou não) de selos e certificados oficiais de sustentabilidade (como o selo IBD Orgânico e o Selo Verde do Instituto Chico Mendes). 

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Como ESG pode ser uma oportunidade para sua ONG?

Desde que a BlackRock publicou a sua carta, em fevereiro de 2020, empresas têm voltado cada vez mais recursos e atenção para áreas de ESG.

Nesse contexto, as organizações sociais estão em um lugar extremamente privilegiado. Ao contrário de muitas empresas, as ONGs já conhecem suas comunidades e sabem como gerar impacto socioambiental positivo nelas!

Em outras palavras, podem ajudar as empresas a executar suas práticas ligadas ao Ambiental (“E”), ao Social ( “S”) ou à Governança (“G”).

Assim, trago 4 passos para que sua organização firme parcerias para ajudar empresas a implementar ações ligadas a ESG:

1. Identifique em qual dessas áreas sua ONG pode ajudar as empresas

Para que uma empresa te veja como bom parceiro de ESG é necessário que você tenha uma clara proposta de como pode ajudá-la a implementar ações em alguma das frentes (E, S ou G)

Se sua organização for especialista em distribuir cestas básicas, por exemplo, pode abordar uma empresa para ajudá-la no braço social.

Se atuar na causa de meio-ambiente, pode assessorar a empresa a implementar práticas ligadas à frente ambiental.

Se, por outro lado, sua ONG for ligada a direitos humanos, que tal auxiliar a empresa a tornar o ambiente de trabalho mais diverso, aprimorando a governança?

Antes de buscar as empresas para oferecer-se como parceiro de ESG, certifique- se como você conseguirá ajudá-las na implementação desta agenda!

2. Converse com as empresas

Faça uma lista de empresas com as quais você queira conversar para ajudar a implementar ações de ESG!

Recomendo que liste empresas com as quais já tenha contato. Será muito mais fácil marcar reuniões com elas! Se você não tiver nenhum nome em mente ou se quiser fazer uma lista mais ambiciosa, pode inserir também empresas com as quais nunca tenha conversado.

3. Ative a lista

Por mais potente que seja o conjunto de nomes que você colocou na lista, eles não vão fazer nada sozinhos.

Ativar a lista é falar com as empresas. Envie um e-mail, mensagem de texto, ligue… enfim, faça contato e marque uma reunião com a empresa para falar sobre sua organização.

Se você optou por colocar na lista pessoas que você não conhece, busque seus contatos pela internet. Duas sugestões são buscar o perfil no Linkedin ou o e-mail no Google. Em ambos casos, vale ressaltar, a chance de resposta é baixa.

4. Faça reuniões e ofereça a parceria

Se você tiver seguido os passos acima, conseguirá marcar reuniões com algumas empresas para falar sobre ESG. Para que suas reuniões sejam bem sucedidas – e você consiga fechar parcerias boas para ambos lados – siga estes pontos abaixo:

4.1. Preparação

Ao preparar uma reunião com uma empresa você deve estudá-la. A empresa já tem ações de ESG ativas? Qual resultado ela desejaria?

Depois de fazer este dever de casa, prepare a reunião com foco em quem estará ouvindo. As empresas são diferentes e os objetivos dos encontros também. 

4.2. Realização da reunião

Você não terá muito tempo. É duro falar isso, especialmente para você, que ama sua organização. Mas a verdade é que você não terá muito tempo.

Suas reuniões dificilmente durarão mais de uma hora – sendo que algumas podem começar a perder o fôlego com 30 minutos.

Por isso, administre bem o tempo nas reuniões com empresas. Se você quiser mostrar um vídeo, que tenha menos de 2 minutos. Se for levar uma apresentação, tente sintetizar as informações em poucos powerpoints

4.3. Ofereça a parceria

Uma vez que a reunião tenha sido feita e exista uma convergência entre as ações da ONG e a agenda de ESG da empresa, ofereça uma possibilidade de parceria!

Esta parceria pode ser desde um projeto de consultoria oferecido pela ONG para que a empresa implante regras claras sobre ética corporativa até uma oficina gratuita de capacitação profissional para parentes de funcionários.

O importante, aqui, é que seja algo que a empresa precisa para aprimorar sua agenda de ESG e a ONG tenha capacidade de oferecer!

ferramentas gratuitas para organizações sociais

Uma palavra final

É notável o avanço da agenda de ESG nos últimos anos, principalmente a partir de 2020. Ela evidencia o papel fundamental desempenhado pelo setor privado na proteção do meio ambiente, no respeito aos direitos humanos e na promoção da transparência, participação e acesso à informação. 

Ainda há muito o que se desvendar em termos de ESG para que as práticas empresariais estejam integralmente alinhadas a esses princípios, o que inclui o desenvolvimento e disseminação de métricas e o combate ao greenwashing e ao socialwashing

Mas uma coisa é certa: a tendência veio para ficar. O escritor e ativista francês Victor Hugo certa vez escreveu que “nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou”

O tempo em que empresas poderiam conduzir suas operações buscando apenas o lucro passou. O respeito a questões ambientais, sociais e de governança é um imperativo e empresas que saiam na frente nessa corrida em direção ao topo certamente observarão vantagens frente a investidores e consumidores.   

E, claro: sua ONG DEVE embarcar nessa tendência. Você tem tudo para auxiliar as empresas nessas práticas e certamente o recurso das empresas é fundamental para seu trabalho!

Por isso, parta agora para ação! Sua ONG tem um grande valor nesta nova era!

Este informativo contou com contribuições de Joana Nabuco, advogada, Mestre em Direito pela NYU School of Law e pesquisadora no Centro de Direitos Humanos e Empresas da Fundação Getulio Vargas.

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